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BLOG SUA MELHOR AMIGA

☕ Puxa uma cadeira e vem tomar um café comigo: desabafos e reflexões reais de mulher para mulher.

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LIVRO CABELO DE BOMBRIL

"Um livro para você rir, chorar, se emocionar e lembrar que nunca é tarde demais para recomeçar e abraçar quem você realmente é."

Acompanhe a trajetória de superação, autodescoberta e amor-próprio de uma mulher que nasceu preta em uma família branca, enfrentou o bullying desde a infância, perdas avassaladoras e um casamento cinematográfico, transformando cada cicatriz em motivo de orgulho e liberdade.

Camila Malta Terapeuta Holística
✨ Terapias Integrativas & Cura Emocional
Cuidado & Transformação Interior

Terapia Holística: Reconecte-se com sua Essência

Além de escritora, Camila Malta é terapeuta integrativa dedicada a guiar mulheres através de processos profundos de autoconhecimento, desbloqueio de crenças limitantes e libertação de padrões familiares dolorosos.

🌊 Constelação Familiar na Água 🌺 Ho'oponopono Sistêmico 💎 Resgate da Criança Interior 🕊️ Quebra de Lealdades Invisíveis 🌿 Terapia de Recomeço Feminino
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Atendimentos online para todo o Brasil e exterior: camilamaltasejavoce@gmail.com

Camila Malta sorrindo no caminhão retrô de vinhos
☕ Autêntica, sem filtros e com muito humor

Olá, eu sou a Camila Malta

Mineira de Belo Horizonte, mãe, comunicadora nata, terapeuta holística e uma mulher que nunca teve medo de se reinventar.

Em Cabelo de Bombril, divido com você a minha vida sem filtros: desde a infância desafiadora como a única menina de cabelo crespo em uma família branca, até os relacionamentos, viagens pelo mundo, a síndrome do ninho vazio e a coragem de recomeçar do zero aos 44 anos.

Amostra Oficial do Livro

Capítulo 1: O Começo de Tudo

CAPÍTULO 01

Nasci única neguinha de cabelo crespo no meio de uma família branca com cabelo liso, segunda filha no meio de 4 filhos, 3 mulheres e 1 homem, o caçula. Minha mãe, morena clara de cabelo liso; meu pai, branco, loiro e de olhos verdes. Já conseguem imaginar o desafio que foi crescer e passar por todos os preconceitos há 44 anos atrás, quando ninguém falava de racismo e piada com preto era normal, e os apelidos eram super carinhosos. Primeiro, quero deixar claro que amo minha família e todos nós somos curados e perdoados por tudo que vivemos. Eles também não tinham conhecimento sobre o assunto naquela época, não havia Instagram, YouTube, etc., informações como existem hoje. E terapia também não era normal; com certeza, iriam saber de muitas coisas por aqui, porque também não tinham noção do que estavam fazendo. Eles fizeram o que sabiam na época.

Vamos começar pela minha infância: O que eu me lembro da minha infância? Acho que eu tinha uns 4 ou 5 anos (lembrando que sou péssima com datas); então, datas aqui podem estar erradas. Era aniversário da minha irmã mais velha e lembro que, desde pequena, ela dava muito trabalho para os meus pais. Tinha um gênio muito difícil. Não lembro porque, na hora dos parabéns, ela começou a brigar comigo e meu pai foi chamar a atenção dela. Minha avó materna, que sempre preferiu ela porque foi a primeira neta, acabou comigo, me chamando de preta, macaca, cabelo de bombril, etc., na frente de todos os convidados. Com 4 anos, eu ria com vontade de chorar para fingir que não ligava para essas ofensas, mas depois me escondia debaixo do travesseiro ou debaixo da cama para chorar sozinha e desabafar toda a minha dor. Desde então, percebi que eu precisaria ser forte para crescer nesse mundo. Já que eu não era bonita, queria ser engraçada e inteligente; precisava ser aceita de alguma maneira. E assim continuou minha vida. Eu tinha dúvidas, achava que era adotada; os estranhos perguntavam se eu era filha da empregada. Eu achava que não era filha da minha mãe; via nitidamente a proteção da minha mãe com meus irmãos. No período da infância para a adolescência, minha irmã mais velha tornava minha vida um inferno, com brigas, insultos, agressões físicas e mentiras. Quando ela fazia algo de errado, colocava a culpa em mim e eu apanhava da minha mãe sem ter feito nada. Passei anos da minha vida com cabelo cortado igual a de homem porque minha mãe não sabia cuidar e anos de cabelo preso na minha adolescência, com vergonha de soltar o meu cabelo. Então chegou minha adolescência e, graças a Deus, fiquei forte e consegui juntar toda a minha raiva e mágoa acumulada para dar uma surra na minha irmã mais velha e deixar a cara dela toda arranhada (kkk queria mostrar para o mundo para não se meter comigo mais). Mas, mesmo assim, minha mãe acabava comigo por ter deixado a cara da minha irmã marcada. E acredite se quiser, as brigas físicas não pararam, mas pelo menos ela sempre saía mais machucada que eu kkk. Para mim, já era uma vitória. E, para completar meus traumas, quando a adolescência chegou, os quilos a mais de emoções guardadas e tristezas curadas com barras de chocolate, hoje, como terapeuta, enxergo toda a minha fuga. As brincadeiras de salada de fruta kkk, que nunca era escolhida para beijo na boca. O primeiro namorado, o primeiro término, que me fez amadurecer com sofrimento. E como eu sempre falo: - ATÉ UM PÉ NA BUNDA É UM PASSO PARA FRENTE!! (Decorem essa frase, meninas, kkk, vamos ouvir ela muitas vezes por aqui). Nessa época, eu acho que tinha 16 para 17 anos quando comecei a estudar autoconhecimento, terapias, tarô, lei da atração, ver vídeos da Gisella Valin e Arly Cravo… (anotem essas dicas; eles ainda são bons para autoconhecimento, super indico). Então comecei a encarar meus traumas e o processo de cura das minhas feridas. Fui para os Vigilantes do Peso para emagrecer e minha mãe me levou ao salão para soltar meu cabelo e desembaraçar, porque eu já não conseguia mais depois de tantos anos preso e de coque. Eu não penteava, molhava, lavava e prendia molhado sem desembaraçar; meu cabelo ficava sempre úmido, fedia. Como eu não iria soltar, criei uma preguiça de desembaraçar e, no salão, descobri que estava mofado por dentro em algumas partes. Foi um dos dias que mais tive vergonha na minha vida. Foi igual a cena de filme, lágrimas escorriam, a vergonha das pessoas no salão me matava por dentro. Naquela hora, eu só queria sumir, mas, graças a Deus, foi uma libertação. Eles conseguiram desembaraçar e não foi preciso cortar. Achei que iria sair de lá careca. Mas Deus é fiel! kkk... Emagreci 10 quilos com os Vigilantes do Peso e comecei a estudar sobre autoconhecimento e inteligência emocional, e quanto mais eu estudava, mais esperta ficava para a vida. Aprendi o jogo da paquera e que o jogo da conquista é mais energia do que aparência. E que uma mulher divertida e com a autoestima em dia conquista quem ela quiser (quase todos kkk; meu sonho de adolescente era namorar o Roberto Justus, Eike Batista e Ayrton Senna, kkkk, com força, acreditem se quiser, enquanto as meninas da minha idade queriam os Menudos). Sempre gostei de homens inteligentes, mais velhos e bem-sucedidos (que se destacavam em alguma área ou em alguma tribo). Acho que reforçava minha autoestima conquistar esse tipo de cara. Meu pai tinha uma boa condição financeira quando eu era criança, mas na adolescência ele faliu e teve que recomeçar do zero, montando uma empresa no meu nome e me emancipando com 17 anos, com a promessa de que me daria carro e um bom salário, que estou esperando até hoje, kkk. Trabalhei com meu pai 5 anos, sobrevivendo com vales semanais e não tinha uma bicicleta para andar. kkk. Aos 19 anos, vivo meu primeiro amor de mulher, um carioca que morava em Belo Horizonte, 26 anos, trabalhava com ferro velho, divorciado e com 3 filhos: um casal da mulher com quem ele foi casado e uma menina da vizinha de 15 anos que ele engravidou. Quem conhece a lábia de um carioca quando quer conquistar? Meu Deus!! kkk. Aquele x, aquele sotaque, aquela fala mansa, eles não desistem fácil até prender sua isca. Conselho para vocês, meninas, kkk, fujam do malandro carioca, eles são um perigo para nós, donzelas indefesas (contém ironia). Nos conhecemos numa festa de criança, que ele foi de penetra acompanhado de outra Camila, com o namorado da minha irmã na época. Lembro que eu tinha terminado um namorico recente com um cara que tinha problemas com drogas e eles se conheciam. Todos conversando na mesa, até que escuto o indivíduo falando com o amigo: - Troquei de Camila (e rindo, kkk, olhando para mim). Eu pensei: não acredito que fdp!! (Mal eu sabia que esse fdp, kkk, ainda ia ser o pai do meu filho) spoiler para ficar curiosa, kkk. Eu pensei comigo: nunca que eu fico com esse babaca. Combinamos todos de ir em casa tomar banho e ir para um samba famoso na época. Chegamos no samba e vocês acreditam que o Carioca (esse era o apelido dele e a maneira que vou chamá-lo sempre por aqui) voltou sem a menina e veio atrás de mim. Lógico que não fiquei e ainda xinguei ele todo… que ficou atrás de mim a noite inteira. E, com isso, sempre que a gente se esbarrava, ele queria ficar comigo e eu corria, até que um dia encontramos em um barzinho no meu bairro, que tinha pega de carros todo domingo e ficava lotado (meninas, antigamente, kkk, tinha isso: 2 carros apostando corrida numa reta). Mais uma vez, ele chegou em mim, e nesse dia a desculpa que eu dei foi: Eu: Não posso ficar com você, você é amigo do meu ex e ele está sofrendo muito; não posso fazer isso com ele. Carioca: O que? Kkkk, ele está ali ficando com a ex-mulher dele!! EU: Mentira? Carioca: Se eu te mostrar, você fica comigo. Eu: Fico na hora!! (porque essa ex do meu ex infernizou nosso namoro até). E não é que o Carioca me pegou pela mão e me levou para ver a cena do homem que estava infernizando minha vida, pedindo para voltar, ficando com a ex-mulher. Então, nessa mesma hora, eu peguei o Sr. Carioca e lhe tasquei um beijo de novela de parar o quarteirão. E aí começou aquela baixaria; o ex quase infartou, xingando nós dois. O cara de pau ainda achou ruim. E Carioca, sempre brincalhão, rindo e falando: - Gostei de ser usado! Kkk, me usa mais!! E me beijava até… mal sabia eu que, daquele dia em diante, começaria o relacionamento mais louco, divertido, tóxico e o que mais me faria sofrer nessa minha vida. Que duraria 4 anos e terminaria com um filho que me salvou dessa relação. Vou resumir um pouco dessa relação para vocês, porque são muitos casos e não dá para contar tudo; vou tentar fazer um resumão: Carioca era aquele cara que veio da favela e começou a ganhar dinheiro trabalhando de vendedor em loja de ferro velho de carro. Na época, ele tinha um Palio rebaixado, com melhor som e rodas, kkk, que os homens ficavam com inveja. Com 26 anos, ele já era grisalho, usava cavanhaque e colete (kkk, sim, colete tipo cantor latino), muito inteligente e engraçado, cheio de amigos e muito aparecido. A nossa conexão e química foi muito rápida; a gente era aquele casal que, junto, matava a turma de rir. A gente sabia se divertir juntos. Era para ser um casal super legal se não fosse um probleminha do Carioca: ele era viciado em conquistar mulheres (hoje enxergo que era uma doença, mas na época eu não tinha esse conhecimento). Ele queria conquistar; o importante era o jogo da conquista. Podia ser qualquer tipo de mulher; o lance era a conquista. Depois que ele conquistava, ele descartava e sempre queria voltar para mim. Eu, apaixonada, já estava e me achando a inteligente, kkk, entrei em um jogo de gato e rato com ele. E tudo que ele aprontava comigo, eu dava o troco. Ele ficava louco e queria voltar, e eu voltava; passava uma semana e ele aprontava de novo. (kkk, agora conto rindo, mas já chorei muito escondida por causa dessa peste, kkk). E nesse período, ele começou a ganhar mais dinheiro, montou sua loja, adquiriu bens e, quanto mais dinheiro ele ganhava, mais sem vergonha ele ficava e mais mulheres ele arrumava... Um dia, a gente dormindo na casa dele, acordei com uma mulher gritando na nossa janela: - Abreeee! Eu sei que você está com mulher!!!! (Imagina o meu susto; a mulher tinha pulado o muro). Com muito custo, ele conseguiu fazer a mulher ir embora; quebrei o pau com ele e fiz ele me levar em casa de madrugada. Terminei tudo! Ele sempre falando que ela era louca… lógico, né? As mulheres sempre são as loucas… E no outro dia, acreditem se quiser, ele fez a mulher me ligar e falar que ele me ama e que o que ele queria era ficar comigo. (Tem base?) E nisso foram 4 anos de relação de a gata e o rato disputando quem fazia mais o outro sofrer. Eu fazia questão de dar o troco em tudo que ele me fazia e, como ele era viciado em conquista, descobri que isso sempre fazia ele voltar. Ao invés de sair fora, entrei nessa doença. Ele era tóxico, narcisista e acredito que até um grau de psicopatia. Mas fiquem sabendo que relacionamento tóxico vicia igual droga e é muito difícil você conseguir sair fora dessa relação. Ao perceber sinais de alerta, corram no início!! Eles sempre dão sinais, mas, por carência, nós ignoramos. Nós estávamos terminados uma vez, e ele foi em um bar ao lado da minha casa, sabendo que eu estaria lá com todos os meus amigos. Ele chegou em um carro importado (na época não tinha muito, kkk), vermelho, chamando a maior atenção, acompanhado de uma mulher e foi desfilar com a mulher no bar e conversar com as minhas amigas. Eu, que não podia ficar para trás, naquela raiva cega, estava na mesa com uns amigos e pensei: Fodeu!! kkk, ninguém para eu ficar aqui, até que eu avistei meu primeiro namoradinho, que adorava uma cervejinha, pensei: é ele!! Fui até ele e falei: - Daniel, te pago três cervejas para você ficar comigo na frente do Carioca!! - Ele riu e disse: Tem certeza? Eu: Absoluta!! E quero beijo apaixonado, entortando o pescoço, passando a mão nas costas e mostrando a língua, kkk… Na hora que eu o avistei na porta do banheiro conversando com uma amiga, falei com Daniel: _ A hora é agora, vamos!! Chegamos na porta do banheiro e demos aquele beijão de novela, kkk, bem apaixonados, colocando todo meu lado atriz em prática, e meu primeiro namoradinho, mesmo bêbado, arrasou… Na hora que Carioca viu essa cena, minha amiga conta que ele até engasgou, kkk, e disse: "Agora ela passou dos limites!!" Pegou a mulher que estava com ele e foi-se embora, kkk... E eu, na mesa, comemoro com um: - ÉHHHH GOOOOOOL! Que felicidade!! (Kkkk) E pago as 3 cervejas com gosto, kkk… Quando penso que não, Sr. Carioca volta para o bar e me chama para conversar (estava para nascer homem mais cara de pau que ele). E fala: - Vamos embora comigo!!! Eu: kkkkkk, você está ficando maluco? Nuncaaa que eu vou embora com você daqui; quer tirar onda com a minha cara e sair como gostosão para a galera. Carioca: - Eu quero conversar com você, por favor! Depois dele insistir muito, eu disse: - Vai na rua de baixo e me espera lá que eu vou lá conversar com você! E nisso ele foi e, um tempo depois, kkk, eu desci para a rua de baixo, entrei no seu carro e disse: "Fala!!" E ele me agarrou e me beijou loucamente (eu, por dentro, toda feliz, pensando: "realmente, ele me ama", como nós mulheres confundimos sentimento de posse desses piranhos, kkk, com amor)!! Carioca: - Vamos embora comigo. Eu: - Nunca, jamais!!! Dei mais um beijo nele, desci do carro e voltei para o bar, e quando ele passou com o carro, ainda beijei o namoradinho que eu paguei a cerveja, kkk, para ele ver, e ele saiu cantando pneu no seu carro importado vermelho... Gente, vocês conseguem identificar a minha doença? Eu achava isso o máximo, fazê-lo sempre correr atrás de mim. Como a gente fica cega quando apaixona e não tem maturidade, conhecimento; relacionamentos tóxicos acabam com a nossa saúde mental. Em outro dia, também estávamos terminados e ele ficou me ligando para ir encontrar com ele em um samba que ele estava na rua próxima do bar em que eu estava com minha irmã, o namorado dela e uma amiga. Ele insistiu tanto que fomos para o tal pagode encontrar com ele. Chegando lá, ele me tratou com a maior indiferença, ficou dançando do meu lado e mexendo com todas as mulheres que passavam na nossa frente. Eu pensei: "Fdp! Não acredito que esse babaca me chamou aqui para isso", e o sangue foi subindo, subindo, até que pensei: "mais uma que ele fizer isso, ele vai ver". Gente, surtei!! (Nunca façam isso, é muito arriscado; as consequências podem ser graves). Passou uma mulher, ele mexeu e passou a mão no cabelo dela... Eu joguei meu copo Lagoinha de cerveja no chão e meti a mão na cara dele; o estalo foi tão alto que a roda de samba parou de tocar e todo mundo olhou para a gente. Nessa hora, eu pensei: "Fodeu!!" (kkk, rindo agora, no dia estava quase me mijando de medo) vou levar um pau aqui na frente de todo mundo; socorro!! Na mesma hora, catei minha amiga pelo braço e saí correndo, parei o primeiro carro que vi de porta aberta com alguém descendo e fui entrando, falando: "Moço, me tira daqui, se não eu vou apanhar". Quando estou entrando no carro, só sinto uma mãozinha me puxando pelo braço. Quando olho para trás, quem era? O indivíduo! Eu pensei: "Vou apanhar na frente de todo mundo; nunca apanhei de homem, socorro, o que faço? Deus, me ajuda...". Nisso, ele sai me puxando pela rua e me leva para a rua de baixo... e eu, falando durante o caminho, fingindo não estar com medo: - Pensa mil vezes antes de fazer algo comigo, porque vai ter troco; se você for bater, me mata, porque eu vou acabar com a sua vida depois; eu vou atrás de você até no inferno, mas vai ter troco, kkk. A vítima não pode demonstrar medo; na minha cabeça, tinha que demonstrar para ele que era até capaz de matar, para ele ficar com medo de mim, kkk (não custa lembrar que eu tinha apenas 19 anos na época). Eu me dava bem com todos os amigos e amigas dele, sempre sendo super legal e querida com todos; fazia parte do meu jogo de conquista com ele. Assim são as paixões: a gente ama tudo ao redor da pessoa amada. Então, um dia, quando encontrei um dos amigos dele, naquele meu bom astral de sempre, disse: - Vem cá, como você está hoje? Perguntei, toda simpática, enquanto nos abraçávamos, como são as conversas despretensiosas. Ele disse: -Você soube do Carioca? Eu respondi que não. Eu realmente não poderia imaginar o que poderia ser. Ele então disse: - Ele casou hoje. E naquele momento, eu gelei. Por mais que não quisesse admitir, ainda estava apaixonada por ele. Tentando encontrar palavras, falei, com a boca seca: - Mentira, casou? Casou com aquele traveco? O tal traveco era uma mulher com quem ele tinha ficado, que inclusive já tinha saído conosco, sendo amiga de uma amiga minha e dele. De repente, ele começou a se envolver com ela, e eu a apelidei de traveco, dizendo que ela parecia um travesti. A gente tem dessas de competição quando se é jovem. Eu tinha apenas 19 anos na época e pensei: "Não é que o filho da mãe casou com a traveco mesmo!!" Na manhã daquele mesmo dia, eu tinha recebido uma mensagem de texto no meu telefone com o seguinte assunto: "Camila, tomei seu homem". Eu pensei: "Ah, mas eu não estava nem namorando, então como alguém poderia ter roubado meu homem? Concluí que aquela mensagem havia sido enviada por engano. Assim que o amigo que tínhamos em comum me contou que o Carioca havia casado, diga-se de passagem, que no momento fingi que deixei para lá, que não me importava, eu lembrei da mensagem; foi então que me veio à luz quem era a remetente, era a dita cuja com quem Carioca havia casado. Aquilo acabou com o meu dia, desmoronou meu mundo. Fiquei sem chão e virei para o amigo dele, dizendo: - Eu não dou um mês para ele estar me procurando. Sabe, tentando me convencer com todas as forças que isso aconteceria para eu sofrer menos com aquela notícia. - Não acredito que ele fez essa!!! E respondeu o amigo dele: - Eu também não. Com aquela mulher, que não sei nem quem é, nada a ver. Disse o amigo dele, como que me apoiando em minhas afirmações. Ri alto de nervoso e disse novamente: "Não dou um mês para ele estar me procurando de novo, enchendo meu saco para ficar com ele." No fundo, eram os meus “ciúmes” falando, e eu torcia por dentro para que ele de fato me ligasse dali a dez segundos. Depois disso, fui embora. Fiquei chateada, fingi que estava bem e tal, mas aquilo realmente tirou o meu chão. Existem amores na vida que não são para a vida. Passaram-se três dias e, na quarta-feira da mesma semana, ele me ligou. Eu então, feliz por estar mais uma vez certa, mas não conseguindo esconder minha chateação, disse: "O que você quer? Você está maluco?", questionei. Ele, então, com aquela voz de desespero, quase chorando, disse: "Ah, olha o que eu fiz! Culpa sua que não quis casar comigo!" (Realmente, 15 dias antes estávamos terminados e ele ligou me pedindo em casamento do nada, e lógico que não acreditei; achei que era mais um golpe para a gente voltar e não aceitei. Então, ele falou que iria casar com outra porque queria sossegar. Eu dei a maior gargalhada e desliguei o celular). Ele continuou: "Preciso falar com você. Posso ir na sua casa?" Sem pestanejar, respondi: "Não me encontro com homens casados. Você casou!" Ele não respondeu de imediato, disse apenas que queria conversar comigo com urgência. E continuou: “Cometi um erro na minha vida casando com aquela mulher. Por que você não aceitou casar comigo?", insistiu ele. Eu, feliz por dentro por estar sendo iludida mais uma vez, movida pela paixão, óbvio, respondi: "Casar com você, o maior “galinha” do Brasil?" Ri um pouco, com aquela sensação de vitória enchendo meu corpo. kkk! Ele insistiu: "Vamos nos encontrar, preciso conversar com você.” Então, lembrei-me da mensagem da mulher, a tal Traveco, e o teor da mensagem se repetiu em minha mente: "Eu tomei seu homem." "Ah, tomou, minha filha? Você vai ver", pensei comigo mesma. Então respondi: "Tudo bem. Pode passar aqui perto de casa, mas você vai parar na rua da frente, porque não vou ser amante; não vou ficar com fama de amante. Se você casou, assuma seu papel de casado." E assim, ele chegou na rua da frente e me ligou. Eu saí de casa e entrei no carro. Ele veio me abraçando, tentando chorar. Perguntei: "O que aconteceu?" Ele respondeu: "Fiz uma grande besteira na minha vida. Não sei por que casei com aquela mulher. E casei de verdade, no civil. E a culpa é sua. Por que não quis casar comigo?" Típico de narcisista colocar a culpa dos seus erros nos outros. "Você está louco", retruquei. "A culpa é minha? Você nunca vai mudar. É viciado em mulher, não tem jeito." E ele tentava me beijar, dizendo que me amava. Eu insistia: "Não, você é casado. Não ficarei com um homem casado. Esquece." De repente, lembrei-me novamente da mensagem que a mulher me enviara: "Camila, roubei seu homem." Naquele momento, algo clicou em minha mente. Pensei: "Será que ela realmente o roubou? Preciso mandar um recado para essa mulher." Naquele momento, eu o beijei com força, com vontade, kkk, deixando-o louco me querendo. Então, comecei a arranhar suas costas, fingindo que era de tesão, kkk, querendo deixar provas para que a outra visse quem havia roubado o homem dela. Beijando-o, continuei a provocação, arranhando suas costas para que a mulher visse que o homem que ela roubou ainda me pertencia. Era uma forma de vingança por ela ter enviado aquela mensagem. Apesar de tudo que disse sobre não ser sua amante, começamos a nos encontrar regularmente, e o que é proibido realmente parece que fica mais excitante. Nossa química, que já era grande, dobrou nessa época, desejando ficar juntos a todo momento, embora ele fosse casado e a mulher continuasse ligando para ele sempre. Até que um dia, durante uma festa, seu telefone tocou. "Pode atender", disse ele. Era ela, a mulher do outro lado da linha; reconheci só pelo toque do telefone, intuição feminina. "Alô, quem está falando?", perguntei. A mulher, então, começou a proferir insultos desrespeitosos: "Você é uma piranha vagabunda!" Eu, então, questionei: "Quem saiu com a gente e viu que ele era meu namorado? Não foi você? Depois, quem casou com o homem que conheceu enquanto namorava comigo? Se há alguma piranha nessa história, minha querida, essa piranha é você. Estou aqui apenas para provar que você não tomou meu homem." Eu o deixo ir e volto para buscá-lo quando desejo. Nesse momento, eu me enchi de mim mesma, como se pudesse abraçar o mundo em um só grito. Aprendi ali que o Carioca podia passar de mão em mão ou perereca em perereca, kkk, mas sempre retornava para mim quando eu quisesse. Então, diante do ocorrido, a esposa oficial dele pegou suas roupas e incendiou tudo. Esse teatro absurdo persistiu até que ele se separou dela e reatamos, sempre nesse jogo de gato e rato. Nossa dança de idas e vindas era incessante, um ciclo vicioso. Um belo dia, sem ver nem para quê, engravidei. Naquele momento, o medo me consumia. Sempre usávamos preservativo; meu pavor de contrair uma doença era real. Ele, um mulherengo confesso, se envolvia com várias outras. Lembro de uma vez no motel, onde saímos sem ter relação porque ele se recusava a usar proteção, e eu não abria mão disso. Nunca tomei anticoncepcional; o receio de engordar me assombrava. Esses traumas da adolescência, essa obsessão com a aparência, me dominavam. Quando emagreci, ouvir que o contraceptivo engordava logo me aterrorizava. Então, ao descobrir a gravidez, meu mundo desabou. Eu sempre dizia que não queria ser mãe. Minha irmã mais velha engravidou aos 15 anos, um grande escândalo na época. Lembro do meu pai chorando muito, após gastar todo o dinheiro da venda de um carro na festa de 15 anos dela, e como recompensa se tornou avô. Depois, minha irmã mais nova engravidou aos 17. Vi o sofrimento do meu pai e da família. Todos diziam que eu seria a próxima vítima; isso se tornou um pesadelo para mim. E parece que a sina se confirmou. O pavor de engravidar me dominava. Levei tempo para aceitar. Quando descobri, já estava com três meses, sem suspeitar de nada. Fiquei incrédula; usávamos sempre preservativo. Senti o chão se abrir. Pensei que a camisinha devia estar furada. Ele, por outro lado, sempre quis um filho comigo, crente que isso não mudaria nada para ele. Óbvio que um filho muda pouca coisa na rotina de um homem, se este não participar da criação. Ele queria mesmo era me prender à maternidade, meio que uma forma de me dominar. Ao descobrir a gravidez, fui até sua loja de ferro-velho avisá-lo. Ao chegar lá, minha raiva explodiu; dei-lhe uma surra. Ele me colocou no carro, no meio da rua, em frente à loja. Eu estava furiosa, sentindo-me traída e presa numa teia de responsabilidades que não escolhi. Eu praticamente sofri um golpe da barriga. Sentia-me traída e enganada; eu sentia o ar da vitória no fundo do seu olhar.